Acabadinho de espremer e dedicado à CC ( que me inspirou e que me vai pagar as sessões no psiquiatra que eu virei a precisar depois disto, ai, ai…)

(Podíamos ser…)

A seiva desta orquídea rara

O voo apressado deste colibri

O bibelot barato numa loja cara

A mulher da praça que nunca se ri

O metal frio e liso que nos arrepia a nudez

A espuma amarelada das ondas citadinas

O rosto fustigado sentado aquela esquina

O condenado à morte à espera da sua vez

(Parecemos mais…)

Cobardes abraçados

A apertar nas mãos

Imagens da beleza

Que teima em nos fugir

Personagens inadequados

Figurantes transparentes

Ao canto da sala a tentar sorrir

(E o que afinal somos…)

Não sei

Rimos nervosos para esconder o medo

Sufocamos os gritos numa angústia sem nome

Estendemos as asas a um sol morno

Que se recusa a queimar

Estes sonhos, segredos por realizar

Às vezes tropeçamos em tristezas súbitas

Somos sombras escuras, cinzentas pálidas

Mas logo pontapeamos as amarguras

E renascemos luz, fogo de artifício

Talvez sejamos fruta sumarenta

Folhas em branco

Pautas por escrever

Talvez sejamos a sofreguidão

Impossível de satisfazer

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