DE “VIVER PARA CONTÁ-LA”, GABRIEL GARCIA MARQUEZ

“Na primeira noite, como em tantas outras, ficámos até ao amanhecer no Passeio de los Mártires, protegidos do recolher obrigatório pela nossa condição de jornalistas. Héctor tinha a voz e a memória intactas quando viu o resplendor do novo dia no horizonte do mar e disse:

– Oxalá que esta noite termine como o Casablanca.

Não disse mais nada mas a sua voz devolveu-me em todo o seu esplendor a imagem de Humprey Bogart e Claude Rains a avançar ombro a ombro entre as brumas do amanhecer em direcção ao fulgor radiante no horizonte, e a frase já lendária do trágico final feliz: “Este é o princípio de uma grande amizade.”

Excerto da autobiografia do prémio Nobel da literatura, que já muito depois de ser um escritor reconhecido, recebia as cartas à sua mãe devolvidas com a ortografia corrigida numa atitude de maternal pedagogia. Não resisti, adorei o excerto e o pormenor.

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