Não sei se por descender de artistas de circo, de crianças em fuga, de mulheres sem sossego nem salvação e de homens que mil vezes apostaram a vida perdendo sempre, piso sem medo este arame fino e farpado. Sem hesitações nem passos em falso. A rir bem alto de quem teme por mim e a fingir que sei muito bem para onde vou. O segredo é ser leve e não me levar muito a sério. Não conquisto nada que sirva para a troca, mas também não consigo pensar em nada que queira em troca. Porque assim habito esta tenda imensa e assim lhe coso em segredo os rasgões causados pelos sobressaltos do caminho. Não sei se por a maldição saltar geração sim geração não e eu ser da não, sinto-me abençoada com uma imunidade que permite enfiar a cabeça bem fundo na boca das feras, dar piruetas em círculos de fogo, desafiar o trapézio sem rede e desdenhar os palhaços, tão pouco atléticos e tão patéticos. Porque um dia me segredaram que pouco depende de mim, que existem trilhos a seguir, falsas pistas a evitar, bênçãos a agarrar com muita força na altura certa. E pouco mais.

(imagem lincada de:http://www.gruppofoto.com/concorso1968/Equilibrista.JPG)

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