E depois veio um dia atrás do outro

Chegaram numa fila longa e ordenada

Iam-me batendo à porta, que eu abria

Entravam

Traziam-me coisinhas pequeninas

Como palavras amigas emitidas de

Sorrisos cúmplices

Sonhos caseiros pancadinhas no ombro

E amostrinhas de revistas

Traziam-me coisas grandes

Como medos muito fundos

Incertezas muito longas

Saudades pesadas como pedras

Que se encaixavam miraculosamente

Nos meus ombros tão estreitos

Entravam, limpavam os pés

Alguns chegaram a descalçar-se

Para falar mais à vontade

De imagens que me deveriam preencher

De ambições que me deveriam fazer mexer

Veio um dia atrás de um dia atrás do dia

Em que me levantei

Esfreguei os olhos nublados

Forcei os pés cansados

E quando me preparava para sair

Pensei no dia que viria

Quem lhe abriria a porta

Quem estaria lá para o receber

Assim me detive

E permaneci

Aqui

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