Entretanto fiz anos e, como castigo, fui raptada!

Sofri horrores: tive de andar dias inteirinhos em ruas muito estreitas, apanhar sol directamente na cara em esplanadas, ver a luz do entardecer a transformar as tais ruas estreitissimas e a cor da àgua que as banhava, namorar entre escadinhas, gatos preguiçosos e velhinhas à janela.

Foi difícil, mas sobrevivi.
E prometi que este ano não me vou queixar dos anos que se acumulam. Nem de objectivos que tardam. Nem de atalhos ou desvios inesperados. Vou passear na vida como naquelas ruas, com a certeza que, a qualquer momento uma nova janela ainda mais florida com a roupa estendida ainda mais branca e os vidros gastos ainda mais coloridos vai aparecer. Sabendo que às vezes becos escuros e suspeitos escondem praças onde ecoam risos miúdos e gargalhadas antigas.
E que a beleza disto tudo está em sítios que não aparecem no mapa dos percursos obrigatórios, que ninguém nos ensina o caminho para lá chegar. Está no inesperado de uma ponte pequenina que é só nossa e na sesta silenciosa entre pedras que já viram tudo.

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