Da variedade do género humano

Num documentário sobre os serviços sanitários de Nova Iorque, entre a listagem das tarefas mais repulsivas que já vi na vida (e que me fizeram encarar as segundas-feiras com um sorriso nos lábios que deixa as pessoas que se cruzam comigo na rua baralhadas), apareceu uma equipa que tinha por missão descontaminar apartamentos. Descontaminá-los depois daquelas mortes que sempre pensei serem mitos urbanos: em que ninguém dá pela falta da pessoa até o cheiro intrigar os vizinhos.
A equipa era composta por um senhor gordinho com um ar eficiente que, claro, “não sonhava desde pequeno fazer aquilo mas alguém tinha de o fazer e ele tinha orgulho em fazê-lo o melhor que podia”, e por um rapaz ainda sem barba que mascava pastilha com os olhos muito abertos. Já ia mudar de canal quando ele começa a explicar que ADORAVA aquele emprego. Sentido cívico? Não, puro “vouyerismo” mórbido. Ele gostava do “décor” de vísceras, dos pormenores macabros de miolos liquefeitos, tirava fotografias para um albúm especial, sentia-se priveligiado por poder assistir na realidade “ao que apenas parece nos filmes” para o comum dos mortais. Teve sorte, no fundo, em ter descoberto a vocação. Aposto que nehuma orientadora vocacional lhe teria tirado a pinta.

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