Da variedade do género humano(2)

Festa de amigo do amigo. Sucessão de caras desconhecidas, apresentações rápidas sorridentes, a certeza assustadora que só uma décimo dos nomes vai ficar retido e julgamentos rápidos dos pés à cabeça só mesmo para ir arrumando os rostos em gavetinhas familiares. Aquele tem tiques, aquele tem um ar nervoso, aquela é sonsa. Tudo em gavetinhas, já está.
E tudo nas erradas. A sonsa tocou com uns amigos de improviso e ganhou outro brilho, juro que dançava sem se mexer. O dos tiques tinha um discurso envolvente. O nervoso falava cinco línguas. E é refrescante saber que existem pessoas que realmente têm interesses em fazer coisas pelo simples prazer de o fazer. Que aprendem uma língua só porque sim e não porque ficará bem no cv com que se concorrerá à multinacional dos seus sonhos, que tocam instrumentos completamente fora de moda que nunca os levarão ao “Ídolos” ou a uma editora só porque realmente gostam, que sobrevivem aos tiques fortalecidos com uma bagagem de valores e descontracção.

Um dia destes vou deitar fora as gavetas, juro (assim que conseguir sair da minha).

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