Cada vez gosto mais

da estética “kitsch”. Talvez seja da idade, do exílio, ou mesmo qualquer explicação Freudiana relacionada com o conforto de lanches em casa da avó o justifique. Não interessa o porquê. Hoje ao passear pelo Bolhão (tão Almodovoriano, a sério se ele o descobre dá filme) entre senhoras que decoram as bancas com Nossas Senhoras de Fátima Fluorescentes, que têm no bolso das batas rebuçados para as crianças, que espreitam a novela numa mini televisão enquanto tricotam e vendem pão não embalado de preço variável consoante a disposição e o cliente e manipulado sem luvas (ASAE vá de recto), entre velas e calendários de santinhos, engraxadores que assobiam e senhoras de carrapito que aos 80 anos ainda usam baton vermelho e sapto tigrado, senti-me em casa numa cidade que não é nem nunca foi a minha. Não se espante quem um dia me visite para encontrar um galo de Barcelos daqueles que mudam de cor com o tempo na cozinha, naperons de renda num sofá de veludo, boneca sevilhana em cima da televisão.

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