Me, myself and I

Tenho, por vezes, momentos de intenso arrebatamento, de perfeita paixão comigo mesma. Posso mesmo afirmar que aqui está uma relação para durar “até que a morte nos separe”. Claro que isto exige algum mimo e investimento. Ainda ontem me surpreendi com um bife como molho de chocolate preto (bem sei o que eu gosto de chocolate) que envolveu um momento flambé de puro exibicionismo for my eyes only e a abertura de uma garrafa muito antiga que andava esquecida na despensa. Tudo ao som do Frank Sinatra aos altos berros e com piruetas de fox trot. Em certos dia o desprendimento e sensualidade divertida do Frank (“How did all these people get in my room?”) são o único inóculo de protecção contra a mediocridade que por aí anda, prestes a agarrar-nos em qualquer esquina e em tornar-nos numa pessoa miudinha de horizontes da largura de um carreiro de cabras. A noite acabou, claro está, a…ver pela milionésima vez a Audrey a cantar Moonriver, a roubar máscaras em lojas chinesas e a trincar croissants na montra do Tiffany’s.

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